Instituto Coca-Cola Brasil

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Coleta rentável

27.09.10 - No segundo semestre de 2010, o Instituto Coca-Cola Brasil completou um ano de parceria com a ONG Doe Seu Lixo, que iniciou seus trabalhos em 2001 trazendo uma idéia inovadora. “Trabalhamos com geração de emprego e renda através da coleta de lixo para a população que vivia abaixo da linha de pobreza, os moradores de rua. Acabamos desenvolvendo algumas tecnologias sociais que garantem um condicionamento estratégico em relação à coleta dos resíduos em residências e pessoas jurídicas”, conta o secretário geral da ONG, Julio Cesar Santos. “Temos um case inicial de 45 mil clientes cadastrados e 15 mil clientes atendidos. Atuamos hoje em 22 estados do Brasil e em 98 municípios.”

Com essas tecnologias, a Doe Seu Lixo não apenas coleta, mas monitora esses recursos na fonte pesando-os no local e obtendo dados como a quantidade de resíduo gerada por tipo em cada pessoa física ou jurídica. “Também fazemos um acompanhamento através de nossos carros, que possuem GPS, para garantir que esses resíduos vão para as indústrias de reciclagem, e não que vá parar no meio da rua”, acrescenta Julio, orgulhoso dos números conquistados com o trabalho. Só no último ano, foram retiradas cerca de 63.135 toneladas de resíduos - o equivalente à preservação de aproximadamente 752 mil árvores ou economizado 3.870.000 metros cúbicos de água. Desde o início das atividades da ONG, 3393 que foram ajudadas diretamente, em torno de 800 eram moradores de rua e, hoje, são agentes ambientais.

Em uma entrevista, o secretário geral da Doe Seu Lixo conta como foi essa aproximação da ONG com o Instituto Coca-Cola Brasil e como essa parceria trouxe grande melhora na qualidade de vida para a sociedade.

É percebido no trabalho da ONG a preocupação e cuidado de mostrar a origem e o destino dos resíduos coletados...
Nossa preocupação é garantir a satisfação da pessoa física não só sabendo que esse resíduo está indo para a indústria, mas também através das ordens de serviço, demonstrar que fazer coleta seletiva é diminuir o custo de operação nas indústrias. Fazendo a coleta seletiva, garantimos uma demonstração do quanto foi economizado de energia, de água, quantas toneladas de CO2 foram neutralizadas... Tudo isso possibilitando que o resíduo vá para a cadeia produtiva já no meio do processo e não usando matéria virgem.

Nessa atividade, percebemos três questões sendo atendidas: a reciclagem, a questão ambiental e a questão social.
Essas pessoas que atuam conosco, nós trazemos para dentro da ONG e a transformamos em agentes ambientais. Hoje, temos um trabalho que é exatamente esse tripé: garantimos a sustentabilidade do mundo, das pessoas e econômica da produção. Esse é o grande equilíbrio da sustentabilidade.

Como começou a parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil?
A Isabel (a atriz Isabel Filardis, idealizadora da ONG Doe Seu Lixo) vinha divulgando nosso trabalho quando, em 2005, o ICCB tomou conhecimento dele, convidando-a para fazer parte do Conselho Consultivo. Sua participação por lá foi bastante voltada para o programa Reciclou, Ganhou, nos dando a oportunidade de apresentar algumas tecnologias. Com elas, além de capacitar cooperativas para a gestão da atividade da reciclagem, também mostrávamos algumas formas de capacitar pessoas para que tivessem a gestão dessa atividade. O Instituto viu aí uma oportunidade de participarmos do trabalho dentro do programa para fazer a co-gestão desse processo. Hoje, somos co-gestores do Reciclou, Ganhou, onde implantamos essa tecnologia social que é a de gestão das cooperativas e capacitação da mão-de-obra local das mesmas.

Em 2009, uma sólida parceria nasceu entre o ICCB e a Doe Seu Lixo. Como foi?
Em maio de 2009, a Doe Seu Lixo começou efetivamente a fazer a gestão das cooperativas que já eram apoiadas pelo ICCB e também tivemos a obrigação de mapear novas cooperativas para esse trabalho, passando a gerar os resultados desta atividade. O que o ICCB nos deu foi a oportunidade de ampliar. Os resultados são a geração de emprego para 3396 pessoas através do Reciclou, Ganhou. O Instituto
Coca-Cola Brasil é um canhão: O que ele possibilitou foi aumentar nosso poder de alcance em muita coisa. Graças a Deus, hoje eu digo que foi um trabalho que todo mundo ganhou.

Em 2009 houve um evento marcante que mostrou essa parceria, como o festival Doe Seu Lixo Por Música
Aquilo foi fundamental. O ICCB já acreditava que podíamos mudar o comportamento da população com aquela ferramenta e nos apoiaram. Conseguimos comprovar que o elemento cultural é fundamental para a mudança de comportamento da população.

O festival trazia uma forma inédita de engajar a população oferecendo o ingresso em troca da doação de um quilo de seu lixo
Exatamente. Tivemos lá 45 mil pessoas entendendo essa proposta e ainda conseguimos registrar um recorde de pioneirismo. Através do Ranking Brasil, que é um representante do Guiness World Record no país, registramos esse recorde de sermos o primeiro show pago com lixo. A partir desses dados, está sendo preparado um registro para o Guiness.

E o futuro? O que você vislumbra para um futuro próximo nessa parceria?
Nesse momento, nós (o ICCB e a Doe seu Lixo) vislumbramos vôos muito audaciosos e promissores a questão da coleta seletiva podendo se tornar um grande negócio para várias outras famílias, que não enxergavam essa atividade assim antes. Acredito que isso fará com que consigamos ter resultados muito maiores em prol do meio ambiente e da sociedade. Ainda existe muito preconceito, mas ele está caindo e as pessoas estão vendo oportunidades de geração de emprego e renda para elas. Antigamente a questão do lixo estava ligada apenas a moradores de rua, necessitados e hoje em dia já não é. Há a necessidade de mover a produção interna desse país, passando a ser um grande business. Fazendo grandes projeções, daqui a pouco conseguiremos medir o PIB que tais pessoas geram para o Brasil em relação a esse tipo de atividade. Terá uma importância muito maior.